Cartola – O mundo é um moinho (1976)

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Cartola
O mundo é um moinho
1976 Discos Marcus Pereira

1. O Mundo É Um Moinho
2. Minha
3. Sala De Recepção
4. Não Posso Viver Sem Ela
5. Preciso Me Encontrar
6. Peito Vazio
7. Aconteceu
8. As Rosas Não Falam
9. Sei Chorar
10. Ensaboa Mulata
11. Senhora Tentação
12. Cordas De Aço

The opening title track was written for Cartola’s daughter who left their home in Mangueira at 16 and (in the story I’ve heard, anyway) ended up working as a prostitute. It’s a classic, as is all of this record and especially ‘Sala de recepção’, ‘Aconteceu’, ‘Preciso me encontrar’, ‘As rosas não falam’… So many great songs!! Although Cartola had been instrumental to the development of samba during the 1930s and ran the most famous samba club in Rio with his wife Zica beginning in the early 60s, he did not record any material until the age of 66. This is his second album. You can read more about Cartola in a brief article at Wikipedia here, which is also where I grabbed the lyrics and a decent translation of the above mentioned track. I don’t think I really understood samba until I heard Cartola’s first two records. Ever since then, I’ve been in love with the art form. This is samba at it’s best, period.

O mundo é um moinho

Ainda é cedo, amor.
Mal começaste a conhecer a vida,
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar.

Preste atenção, querida,
Embora eu saiba que estás resolvida.
Em cada esquina cai um pouco tua vida.
Em pouco tempo não serás mais o que és.

Ouça-me bem, amor.
Preste atenção, o mundo é um moinho.
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos,
Vai reduzir as ilusões a pó.

Preste atenção, querida.
De cada amor tu herdarás só o cinismo.
Quando notares estás à beira do abismo.
Abismo que cavaste com teus pés.

Translation:

It’s still early, love.
You’ve barely started to know life,
You already announce the hour of departure
Without even knowing the direction you’ll take.

Pay attention, dear,
Although I know that you made up your mind
In each corner falls a little your life
Soon you’ll no longer be what you are.

Listen carefully, love.
Pay attention, the world is a mill.
It will grind your paltry dreams,
It will reduce your illusions to dust.

Pay attention, dear.
From each love, you’ll inherit only cynicism.
When you notice, you’re at the edge of the abyss.
Abyss you dug with your own feet.

Clara Nunes – Claridade (1975)

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CLARA NUNES
Claridade
Released 1975

1-O mar serenou (Candeia)
2-Sofrimento de quem ama (Alberto Lonato)
3-A deusa dos Orixás (Toninho – Romildo)
4-Juizo final (Élcio Soares – Nelson Cavaquinho)
5-Tudo é ilusão (Tufy Lauar – Eden Silva – Anibal da Silva)
6-Valsa de realejo (Guinga – Paulo César Pinheiro
7-Bafo de boca (Paulo César Pinheiro – João Nogueira)
😯 último bloco (Candeia)
9-Ninguém tem que achar ruim (Ismael Silva)
10-Às vezes faz bem chorar (Ivor Lancellotti)
11-Vai amor (W.Rosa – Monarco)
12-Que seja bem feliz (Cartola)

I am in love with Clara Nunes, who left us far too early at the age of 39. Her voice just instantly puts me in a better place, no matter what is going on or where I am. There’s not too many people I can say that about, not even Elis Regina, whose own turmoil bubbles beneath the passionate surface of her recorded works in a way that the attuned ear can pick up on fairly quickly. While Regina’s music is often playful, joyous, even transcendent, there is also a deep melancholy. Not so for Clara Nunes, whose saddest songs are still somehow cheerful. Perhaps it was her strong spirituality grounded in Candomblé, which after all is at the roots of samba. She shares this optimism, even when tearful, with those samba composers whose work she so lovingly committed to wax — Candeia, Monarco, Cartola: some of the great poets of the Portuguese language and masters of melodic subtlety. Clara Nunes opened the way for a host of sambistas (female samba singers) of the “samba revival” of the 1970s like Alcione and Beth Carvalho. Clara’s earliest recordings honestly do not do much for me. But she really hit her artistic stride in the early 70s, probably peaking with 1974’s “Alvorecer”. This album, Claridade, follows that one and while it might not be quite the milestone that Alvorecer was, it is still one of her strongest records, consistent in the quality of its arrangements, production, performance, and of coarse, Clara’s sonorous, soaring voice.

Clara Nunes “Claridade” (EMI-Odeon, 1975)
A lovely, solid ’70s style samba album, with lovely, clear melodies and — oh! — that heavenly voice! A swirly string section kicks in on the end of Side One, but it hardly gets in the way… Basically this is yet another fine album, with songs by all the usual crowd — Nelson Cavaquinho, Monarco, Candeia and Cartola. She slows down on a couple of tunes, and these ballads add a little variety to the mix. Recommended!

Biografia
Trabalhava numa fábrica quando resolveu participar do concurso A Voz de Ouro ABC, em que foi vencedora na etapa mineira e terceiro lugar na final, em São Paulo, em 1959. A partir de então conseguiu um emprego em uma rádio de Belo Horizonte e se apresentava em casas noturnas da cidade. Em 1965 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde gravou seu primeiro disco, com repertório de boleros e sambas-canções. Depois de alguns álbus ainda com gênero indefinido, firmou-se no samba nos anos 70. Em 74, seu LP vendeu cerca de 300 mil cópias, graças ao sucesso do samba “Conto de Areia” (Romildo/ Toninho). Fio um recorde para a época, que rompeu com o tabu de que cantora não vendia discos e estimulou outras gravadoras que investissem em sambistas (mulheres) como Alcione, que gravou seu primeiro LP em 75 e Beth Carvalho, que transferiu-se para uma grande fábrica, a RCA, em 76. Os discos que se seguiram a transformaram em uma das três rainhas do samba dos anos 80, ao lado das outras duas referidas intérpretes. Clara gravou desde sambas-enredos até composições de Caymmi e Chico Buarque. Na segunda metade da década, lançou um disco por ano, todos com grandes vendas e gravações históricas, como as de “Juízo Final” (Nelson Cavaquinho/ Élcio Soares), “Coração Leviano” (Paulinho da Viola) e “Morena de Angola” (Chico Buarque). Ficou famosa também por suas canções calcadas em temas do Candomblé, sua religião, e por sua indumentária caracaterística, sempre de branco e com colares e missangas de origem africana. Morreu prematuramente após uma cirurgia malsucedida, causando consternação popular. Outros sucessos: “Você Passa e Eu Acho Graça” (Ataulfo Alves/Carlos Imperial), “Ê Baiana”, “Ilu Ayê – Terra da Vida”, “Tristeza, Pé no Chão” (Armando Gonçalves Mamâo), “A Deusa dos Orixás”, “Macunaíma”, “O Mar Serenou” (Candeia), “As Forças da Natureza” (João Nogueira/ Paulo César Pinheiro), “Guerreira”, “Feira de Mangaio” (Sivuca/ Glorinha Gadelha), “Portela na Avenida” (Mauro Duarte/ Paulo César Pinheiro), “Nação” (João Bosco/ Aldir Blanc)